CINEMA, LITERATURA E VÍDEO GAME

Recentemente tive oportunidade de ver um amigo jogar God of War no PlayStation 3. Fiquei impressionado – talvez por não acompanhar o universo dos games tão de perto – não com as características da interatividade típicas de jogos de ação, com muitas lutas e sangue, mas particularmente com duas coisas: a presença cada vez mais eficiente da literatura e narrativa e a aproximação cada vez maior entre o vídeo game e o cinema.

A primeira já era uma tendência forte desde o nascimento do game, mas tem se tornado cada vez mais central na ação, e a segunda foi recentemente muito potencializada pela resolução mais alta e maior capacidade de processamento das imagens oferecidas pelos novos aparelhos.

O realismo das cenas incentivam os criadores de games a apresentar grandes passagens como se fossem partes de um filme 3D, próximos em qualidade visual daqueles hits da Pixar e Disney. Quanto à literatura, em God of War a narrativa e a trama são inspiradas nas histórias clássicas da mitologia Grega. Trata-se de uma reficcionalização do universo mítico clássico.

As possibilidades do vídeo game atual sugere novos caminhos para as narrativas interativas num futuro próximo, com menos foco na ação crua e mais experimentação com a trama e a linguagem. A interatividade pode deixar de ser apenas um recurso experimental nas artes eletrônicas ou webartes, ou a pura diversão nos games, e passar a contribuir para uma estética cotidiana e popular seja no cinema, seja nas letras.

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